Prompt não é só uma pergunta: anatomia de um bom prompt

Uma frase curta entra, uma resposta genérica sai, e a conclusão costuma ser rápida: “esse modelo não entende nada”. Só que, na maioria dos casos, o modelo respondeu exatamente ao que recebeu. O problema não estava na capacidade dele, estava em quanto da pergunta ficou apenas implícito.

Um prompt não é uma pergunta isolada. É uma composição de partes, e cada uma delas carrega um trabalho diferente.

Contexto: o que o modelo não tem como adivinhar

Contexto é a informação que existe na cabeça de quem escreveu o prompt, mas não existe em lugar nenhum do texto enviado. Para quem é o texto, qual é o objetivo final, o que já foi tentado antes, que restrições reais existem.

Sem isso, o modelo preenche a lacuna com a opção estatisticamente mais comum, que raramente é a mais adequada para o caso específico. Não é falha de raciocínio, é a ausência da informação que só quem escreveu o prompt possuía.

Instrução: dizer o que fazer, não só sobre o que falar

Existe uma diferença entre apresentar um assunto e pedir uma ação sobre ele. “Fale sobre o relatório trimestral” descreve um tema. “Resuma o relatório trimestral em três parágrafos, destacando riscos financeiros” descreve uma tarefa.

A segunda formulação reduz bastante o espaço de respostas possíveis. Quanto mais específica a instrução, menos o modelo precisa decidir sozinho o que provavelmente era esperado.

Restrições: formato, tamanho, tom, o que evitar

Restrições delimitam o espaço da resposta depois que a instrução já definiu a tarefa. Formato de saída, tamanho aproximado, tom desejado, o que definitivamente não deve aparecer.

Um pedido como “liste três riscos, sem jargão financeiro, em bullet points” é mais fácil de atender de forma consistente do que “me fale sobre os riscos”, porque elimina ambiguidade sobre o que conta como uma resposta boa.

Exemplos: quando mostrar vale mais que explicar

Às vezes é mais eficiente mostrar um exemplo do formato ou padrão desejado do que descrevê-lo em prosa. Isso é especialmente útil quando o resultado esperado tem uma estrutura específica, como um formato de commit, um estilo de resposta ou uma forma de classificação.

Um exemplo bem escolhido comunica em uma linha o que levaria um parágrafo inteiro de instruções para descrever, e reduz a variação entre execuções diferentes do mesmo prompt.

Prompt bom não é fórmula, é ajuste ao problema

Não existe uma proporção fixa entre essas quatro partes que funcione para qualquer tarefa. Uma pergunta simples e bem delimitada pode não precisar de exemplo nenhum. Uma tarefa complexa, com formato específico e múltiplas restrições, pode precisar das quatro partes bem desenvolvidas.

O erro mais comum não é ignorar alguma técnica avançada de prompt engineering. É tratar contexto, instrução, restrição e exemplo como opcionais e depois se perguntar por que a resposta veio genérica.